Ki-moon ocupa vácuo de liderança para salvar negociações
segunda-feira, setembro 28th, 2009Na vácuo de liderança nas negociações do futuro regime climático pós-2012, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entrou em cena para salvar a conferência de Copenhague, programada para o próximo mês de dezembro. Combinando ativismo com diplomacia, Ki-moon tem visitado regiões vulneráveis às mudanças climáticas, como o Ártico, conversado com lideranças políticas, empresariais e da sociedade civil e mobilizado as diferentes instituições do sistema ONU para produzir estudos e participar das negociações do futuro regime climático.
A estratégia mais pública de sua atuação pelo clima foi o lançamento em abril passado da campanha mundial da ONU Selem o acordo” (Seal the deal, na expressão original em inglês) para estimular a pressão pública por um acordo climático justo e efetivo em Copenhague. No lado diplomático, Ki-moon presidiu no dia 22 de setembro, na sede da ONU, em Nova York, um encontro com formato radicalmente distinto das cansativas reuniões com longos discursos e nenhum espaço de diálogo entre os líderes dos países.
O jornal dominical The Observer, de Londres, usou em sua edição do dia 20 a expressão “terapia de choque diplomático” para o efeito pretendido pela ONU sobre os cerca de cem chefes de Estado e governo reunidos na Cúpula sobre Mudanças Climáticas.
Para o secretário-geral da ONU e negociadores da Convenção do Clima, é premente convertê-los em advogados mais proativos de um acordo global que evite as mais trágicas conseqüências das mudanças climáticas.
Na fórmula inovadora da cúpula, cada chefe de Estado foi acompanhado por apenas um assessor, de modo que tivesse contato mais direto com outros colegas. Após os discursos da cerimônia de abertura, líderes de nações com perfis diferenciados formaram duplas para coordenar oito grupos de discussão. A Holanda, por exemplo, formou dobradinha com Tuvalu, país-ilha localizado no sul do oceano Pacífico. Outros grupos fora coordenados pelas duplas Áustria e Senegal, Áutria e Senegal, Chile e Etiópia, Eslovênia e Trinidad e Tobago e Guiana e Reino Unido, entre outros.
Houve, ainda, paralelamente uma sessão específica para os principais executivos e presidentes do conselho de administração de grandes empresas, como Chad Holliday, da DuPont, Gerard Kleisterlee, da Phillips, Klaus Kleinfeld, da Alcoa (USA)
Numa primeira rodada, os executivos foram divididos em grupos de dez para discutir que atividades as empresas poderiam promover para combater as mudanças climáticas e colaborar nos esforços para influenciar os governos e a sociedade sobre a importância de um acordo climático global ambicioso. Uma segunda rodada tratou dos seguintes temas: segurança hídrica, segurança alimentar, energia, sociedade civil, finanças, trabalho justo e empresas sustentáveis e reconstrução e assistência a desastres. O brasileiro Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura, foi o facilitador do grupo de empresas sustentáveis.
Os chefes de Estado almoçaram com representantes da sociedade civil e executivos. No jantar, estiveram juntos líderes dos países que mais emitem carbono com os de Bangladesh, Kiribati e Costa Rica, que figuram entre os mais vulneráveis aos impactos negativos das mudanças no clima.
O propósito da ONU foi o de que os líderes tivessem uma compreensão mais direta das ameaças aos países mais pobres e vulneráveis ao aquecimento global. E que essa atmosfera de diálogo os influenciasse a tornarem mais ambiciosas suas propostas para o corte nas emissões e ajuda financeira e tecnológica aos países em desenvolvimento nos temas da mitigação e da adaptação.
por José Alberto Gonçalves
